do Manchester Evening News
O crash de Wall
Street, o massacre do dia de São Valentim, o nascimento do goleiro russo Lev Yashin.
1929. A
última vez que o Manchester City estava no topo da árvore de natal inglesa por
volta de 25 de dezembro.
O
assassinato de Martin Luther King, o Brasil com uma ditadura militar que
engatinhava, Alec Rose estava sozinho ao redor do mundo em um veleiro. 1968. A última vez que o
Manchester City conquistou o título.
Às
vezes, a gestão deste clube deve sentir-se como um veleiro pelo mundo, sozinho,
em uma viagem sem fim por águas agitadas.
Mas,
depois do gol de David Silva que garantiu a vitória por 1-0 contra o Arsenal,
se os homens de Roberto Mancini evitarem a derrota no próximo jogo, contra o
Stoke, se tornarão “campeões de natal”. E se jogarem tão bem seus 22 jogos
finais, como fizeram nos 16 primeiros, certamente terminarão a temporada com a
coroação máxima.
Muitos
pensavam que o italiano não chegaria tão longe quando foi nomeado em 21 de
dezembro de 2009. Mark Hughes acabara de ser demitido, apesar das garantias de
permanência dadas pela diretoria em outros momentos.
Mancini sofreu
por causa da oposição de grande parte da imprensa, em virtude da troca de
alguém “da casa” por um forasteiro, e até de alguns de seus novos subordinados.
"Foi
difícil, a primeira conferência de imprensa. Eu não entendia o que estava
acontecendo."
Neste
domingo ele saiu de campo sereno, assim como sua equipe, que fora incólume, fria
e objetiva depois de sofrer pressão de um Arsenal feroz. A raça de demonstrada
por Kolo Touré e Kompany foi um recado de quanto os sonhos desta equipe são
sérios e objetivos. Mas para chegar a essa união muitos percalços precisaram
ser superados.
A
incredulidade de Mancini na hostilidade diante de sua chegada foi acompanhada
por algumas das situações ásperas que ele tem encontrado desde então, como já
dito, vinda de seus próprios jogadores.
Craig Bellamy
teve uma antipatia imediata, trazido por Hughes, sempre se mostrou fiel ao
galês. Emmanuel
Adebayor também foi outro que criou problemas. Robinho se desencantou com a
vida em Manchester, mas nada foi tão significante como os destroços que outro
sul-americano, Carlos Tevez, deixou em seu rastro, e perdura até os dias
atuais, ao contrário dos supracitados, que já se foram do Etihad.
Sem
mencionar a imprevisibilidade atual que é Mario Balotelli.
Na
sexta-feira, por exemplo, o italiano respondeu a perguntas sobre a briga de
Mario com Micah Richards, foi bem humorado, descrevendo-a como uma luta de
boxe.
Ele
alegou, espontaneamente, que o melhor lugar para Balotelli na véspera de Ano
Novo é o hotel onde está morando: “Porque é um momento muito perigoso para o
fogo”
Dos 27 técnicos,
incluindo contratos temporários, que o precederam nos Blues após a saída do
lendário Joe Mercer, apenas sete foram responsáveis por mais que os atuais 112 jogos de Mancini.
A
longevidade é merecida, mas agora as exigências são maiores. Pela primeira vez
na temporada as perguntas dos últimos dias se baseavam no “pequeno” momento
ruim, com resultados indesejados: a saída na fase de grupos da Liga dos
Campeões e a derrota para o Chelsea, primeira na Premier League, quando logo no
início mais um bom resultado parecia se confirmar.
A
pressão foi aumentada pela vitória do United contra o QPR, que os levou
brevemente ao topo pela primeira vez em dois meses.
Ontem
não foi o dia de Sergio Aguero, por exemplo, que por duas vezes teve chances
salvas por Szczesny. Mas Kun é apenas uma estrela da constelação, que ainda tem
Balotelli, Yaya, Nasri... Mas foi a vez de Silva ser o herói, e a diferença no
topo voltou aos dois pontos.
A sensação do
triunfo em 1968 não parece tão longe, afinal.