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sexta-feira, 14 de março de 2014

Curva descendente e pessimismo


A péssima semana que se seguiu é somente mais um reflexo que o nível de atuações do time vem caindo há algum tempo, principalmente porque nossas principais armas de outrora tem demonstrado instabilidade: primeiramente o ataque, que tem negado fogo, com Negredo e Dzeko tendo atuações abaixo do esperado, Aguero se machucando a cada dois segundos, onde desfalca o time demais e mesmo quando está em campo tem problemas para entrar no ritmo.

Outro ponto forte eram os jogos em casa, as vitórias têm sido mais difíceis, o time tem dificuldades para abrir o placar e vem tomando alguns sustos, inclusive com resultados ruins aparecendo constantemente. Verificando cada partida, podemos perceber que a queda nos resultados vem se acentuando desde fevereiro, especialmente a partir da péssima derrota em casa no jogo decisivo contra o Chelsea, em que podíamos ter mantido a liderança da Premier. Abaixo a relação de todos os jogos realizados a partir dali:

DATA
RESULTADO
COMPETIÇÃO
03/02
Man City 0 x 1 Chelsea
Premier League
08/02
Norwich 0 x 0 Man City
Premier League
15/02
Man City 2 x 0 Chelsea
FA Cup
18/02
Man City 0 x 2 Barcelona
Champions League
22/02
Man City 1 x 0 Stoke
Premier League
02/03
Man City 3 x 1 Sunderland
Capital One Cup
09/03
Man City 1 x 2 Wigan
FA Cup
12/03
Barcelona 2 x 1 Man City
Champions League

Podemos destacar nesta série que inclui as duas partidas contra o Barcelona pelas oitavas da Champions e a final da Capital One um retrospecto de três vitórias, um empate e quatro derrotas. Foram apenas oitos gols marcados, média de um por partida, e oito sofridos. Nada perto do ataque que assustou a Europa quando ultrapassou a marca de 100 gols com antecedência... Mais gritante é quando vemos que das oito partidas, cinco foram em casa, que renderam três derrotas, também nada perto da fortaleza imbatível de antes.

Para terem uma idéia da queda, coloco agora as oito partidas anteriores as mostradas, comparem e vejam a diferença:

DATA
RESULTADO
COMPETIÇÃO
28/12
Man City 1 x 0 Cryst. Palace
Premier League
01/01
Swansea 2 x 3 Man City
Premier League
08/01
Man City 6 x 0 West Ham
Capital One Cup
12/01
Newcastle 0 x 2 Man City
Premier League
18/01
Man City 4 x 2 Cardiff
Premier League
21/01
West Ham 0 x 3 Man City
Capital One Cup
25/01
Man City 4 x 2 Watford
FA Cup
29/01
Tottenham 1 x 5 Man City
Premier League

São oito vitórias, só isto, com 28 gols marcados, impressionantes 3,5 de média, e sete sofridos. Destaque para as goleadas sobre West Ham e Tottenham, esta última em White Hart Lane. Neste momento o City tinha um desempenho 80% superior em número de gols e 70% melhor em relação às vitórias. É evidente a curva descendente que se seguiu.

Ganhamos um título nesta baixa, mas fomos eliminados de duas competições, uma delas inesperadamente, e o que poderiam ser quatro títulos em disputa viraram apenas um, ao qual o time tem que buscar desesperadamente em jogos atrasados tirar a diferença para o Chelsea e salvar a temporada, já que a Capital One hoje parece muito pouco para o real nível da equipe. O pior é que existem clássicos para serem disputados fora de casa contra Manchester United, Liverpool e Arsenal, tabela muito salgada nesta disputa ferrenha que se segue pelo troféu, com adversários nada fáceis.

Nestas duas últimas eliminações alguns afirmam que Pellegrini pode ter apostado no jogo errado, poupando no domingo para tentar uma classificação quase impossível na quarta, mas vamos combinar que qualquer um em sã consciência sabe que dava para poupar e se classificar contra um time da Championship, sem falar que seria meio estranho mandar um time incompleto contra o Barça, pois, apesar do péssimo resultado influenciado e dispensável da primeira partida, ainda havia chances de classificação, e estas deveriam ser tentadas.

Obviamente, dadas as condições, a que eu lamentei menos foi a diante dos catalães, pois era totalmente esperada e provável após o desastre anterior. O que me deixou de cabeça quente mesmo foi a partida de domingo, marco na queda de rendimento, onde rendeu, infelizmente, mais um título que se foi tão perto, irônica e caprichosamente diante do pequenino Wigan, deixando o caminho livre para o Arsenal encerrar seu jejum.

Era soberbo demais pensar em quatro títulos na temporada, é contra o sentido de ser City. Nosso histórico de sofrimento não permite tantas glórias assim de uma vez, tem de ser pouco a pouco, com muito suor e trabalho para conquistar nosso lugar. Eu, por exemplo, não contava com a Champions, porque sei que existem times melhores e mais tarimbados como Real e Bayern. E, garfados ou não, contava com uma eliminação nesta fase, eram dois grandes times em que se podia dar qualquer coisa.

Agora, pelo jeito que o time vinha destruindo e encantando, estrelas brilhavam em meus olhos para uma tríplice coroa caseira, para mim totalmente possível. O interessante é que vendo o cruzamento da próxima fase não me abateria se por acaso fossemos eliminados pelo Arsenal. Time grande + jogo único = tudo é possível. A questão é para quem caímos, e isto que engrandece o fracasso dessa eliminação.

Temos um título, o menor, sobra outro a disputar. Neste caso, o pior é ver este acúmulo de jogos atrasados, que agora carregam consigo uma pressão extra e vão decidir realmente nosso destino na briga, todos devem ser vencidos pois não existem mais rodadas sobrando para uma recuperação em caso de tropeço. O bom é que se não fosse assim, com essa dose dramaticidade, não seria o City, na verdade, se fosse fácil demais a chance de conseguirmos seria quase zero, pois nunca ganhamos algo de bandeja. A relação de partidas restantes está abaixo:

DATA
CONFRONTO
15/03
Hull x Man City
22/03
Man City x Fulham
25/03
Man United x Man City
29/03
Arsenal x Man City
05/04
Man City x Southampton
13/04
Liverpool x Man City
16/04
Man City x Sunderland
21/04
Man City x WBA
27/04
Cryst. Palace x Man City
03/05
Everton x Man City
07/05
Man City x Aston Villa
11/05
Man City x West Ham

Só igualaremos o número de jogos às vésperas da última rodada, quando enfrentaremos o Aston Villa. Além dos três clássicos chaves fora de casa, ainda existe um chato jogo contra o Everton no Goodison Park, daqueles que nunca vemos um resultado bom.

Depois de muitas doses de pessimismo altamente necessário, algo intrínseco a alma de um Citizen, nestes momentos se faz necessário lembrar os apuros de 2011/12 quando ficamos oitos pontos atrás em uma fase mais adiantada que a atual, e sem jogos atrasados. Convém lembrar também que nesta mesma temporada, no momento de baixa da equipe, fomos eliminados de algumas copas que seguíamos entre os favoritos aos títulos. Acabou nos sobrando apenas a Premier League, e talvez este tenha sido o diferencial de garra para a equipe buscar o caneco, em vez de se concentrar em vários campeonatos, com todos os problemas inerentes a rodagem de elenco, foi focada uma coisa só, uma só luta por um só objetivo. É o mesmo que parece acontecer agora, nos resta torcer para que os ventos soprem positivamente e que o dia 11/05 seja histórico, quase dois anos após aquela data que nunca esqueceremos, mas com o detalhe que não deixem para o último minuto...

 Júnior Martins

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O legado de Roberto Mancini



Na última semana o que era óbvio deste antes da final da FA Cup, aconteceu. Roberto Mancini foi demitido após três anos e meio no clube.

O treinador chegou em dezembro de 2009 para tentar consertar o estrago que Mark Hughes havia feito com uma boa equipe, e conseguiu. Cumpriu os objetivos de fazer o City campeão e respeitado, o levando a um patamar acima. Transformou esse projeto em realidade. Foram anos árduos para conseguir isto, quem acompanha a equipe desde o começo sabe bem, mas a duras penas, como a história nos conta, conseguimos.

Pegou uma equipe que não engrenava, que fazia uma campanha aquém do que podia em 2009/10. Vinha de uma sequência de empates absurda, mas ele chegou, tomou conta e colocou a equipe nos eixos, só não foi para a Champions League em sua primeira “meia-temporada” porque os péssimos resultados de Hughes não deixaram, questão de detalhes, e ainda não tínhamos “aquela” equipe.

Mas na temporada seguinte não falhou, e matou dois coelhos com uma única cajadada. Tirou o time do jejum de títulos, com a FA Cup, e acabou em terceiro na Premier, classificando para a Champions pela primeira vez em sua história. Temporada seguinte veio o momento épico: o time é campeão da Premier League após 44 anos. Tem gente que chega a dizer que isto aconteceu por pura e unicamente a qualidade dos jogadores, uma visão muito pequena, um campeonato de 38 rodadas que não tenha o dedo do treinador é algo de se surpreender, e não digo quando o time jogava o fino da bola, mas mais ainda de quando estava em baixa, quando ele levantou a esperança e ambição da equipe, fazendo-os acreditar, tirando uma desvantagem de oito pontos para chegar em um derby pronto para avançar ao título. Outros sucumbiriam ao desânimo...

Nenhum trabalho é perfeito, tiveram seus erros, suas falhas, a contar principalmente as más campanhas na Champions, mas de um modo geral o italiano foi bem sucedido na sua missão, e não tem como não chegar a esta conclusão, penso que até os críticos concordam. Criticado ele sempre foi, e muito, chegou com desconfiança na Inglaterra, com a imprensa inglesa totalmente contra, mas soube demonstrar o seu valor, e com o passar dos anos ganhou respeito, tanto que situação contrária ocorre agora, no momento de sua demissão, com todos questionando por lá a decisão do City.

Para os torcedores ingleses, quase uma unanimidade, completamente idolatrado e tendo seu nome cantado nos estádios, um grande sinal de agradecimento pelo inimaginável status que ele ajudou o clube a construir, pelas glórias que retornaram depois de muito tempo. No Brasil, o questionamento sempre foi grande, com a imprensa de modo geral o achando fraco, e os torcedores divididos sobre seu desempenho a frente da equipe, as reações vão do ódio irracional ao amor literal, dependendo da opinião, que, como teorizo sempre, é profundamente influenciada pela cultura brasileira, correta ou não, de colocar o técnico como o ser menos valorizado do elenco, culpá-lo por tudo sempre que as coisas dão erradas, e nem lembrar do seu nome quando as vitórias chegam.

Dizem que o desempenho nesta temporada, que foi ruim, não foram influentes para a decisão dos executivos, e já era algo tomado antes, independente de títulos e tudo mais. Inoportuno foi esta notícia ter vazado e tomado conta da imprensa as vésperas de uma final, o que com certeza contribuiu para a nossa vergonhosa derrota. Mais inoportuna ainda foi a data escolhida para divulgar a demissão, exatamente um ano após a conquista do título mais importante e mais épico da história do clube. Um dia para comemorações, e apenas isto, ficou com um clima pesado no ar.

Mancini não resistiu a ambição do City, de Ferran Soriano e Txiki Begiristain. Os espanhóis querem moldar o clube a seu jeito, e assim transformá-lo em uma máquina, não só de títulos, mas de gerar receitas e torcedores. Querem elevá-lo a universos bem maiores e mais abrangentes. É hora de conquistar o respeito europeu.

Você pode até ter muita simpatia pelo Mancini, e pode não concordar com sua demissão. Mas temos, acima de tudo, que acreditar na cabeça destes dois caras a quem o Sheik Mansour confiou à missão de conduzir o City, pois foram eles que transformaram o Barcelona no que é hoje. O futuro que nos aguarda é grandioso, e eles sabem o caminho das pedras para se chegar lá. 

Para Mancini fica a gratidão por ter ajudado da construção de nosso patamar, por ter sido vitorioso nos primeiros objetivos da equipe. Ele pegou o papel que fora primeiramente confiado a Hughes, que não o fez, e efetivamente colocou a equipe para correr, agora passa o bastão a frente, com a certeza que seu nome está gravado na história.


Júnior Martins

segunda-feira, 13 de maio de 2013

13 de maio de 2012



Há um ano um gol representou toda uma mudança de mentalidade, representou o sucesso e afirmação de um projeto que gera desconfiança e raiva nos rivais desde começo, representou 44 anos, representou o fim das chacotas, representou a alegria sincera, representou a descoberta de novas paixões e o orgulho das antigas, representou o que de melhor há no futebol, representou o direito de sonhar. Representou um clube e sua história.

Lembrar daquela partida é na verdade lembrar de toda uma temporada, o quão longa e tortuosa ela foi, cheia de altos e baixos, de quedas e entusiasmo, de shows e decepções, de polêmicas e felicidade.

Tivermos que passar por quase tudo até chegar ali, mais coisas do que normalmente uma equipe passaria, mas aí lembramos que torcemos para o City, e quem torce para este time sabe que absolutamente nada é fácil, está cravado na nossa história que tudo tem de vir com muito suor e esforço sobre-humano.

A temporada vinha com a expectativa de dar um passo a frente na Premier, ou seja, lutar efetivamente pelo título, e estrear na Champions League. O principal nome contratado para se juntar ao time de estrelas e ajudar nesta tarefa foi Sergio Agüero.

Os primeiros meses revelaram o antagonismo: a equipe tinindo e com Agüero superando qualquer dificuldade de adaptação que pudesse ter, arrasava na Premier e já abria boa vantagem na liderança, já na Champions a situação era bem diferente, o City sentia o peso da estréia, com as dificuldades que fazem daquela competição única, tendo como agravamento o fato que pegou o grupo da morte, um azar tremendo. Não passou por pouco, por um empate, mas, fora isto, tudo ia de vento em polpa.

O auge veio no dia 23 de outubro: a equipe, que já havia enfiado cinco no Tottenham em pleno White Hart Lane, não teve dó nem piedade e humilhou certos diabos em pleno Inferninho Stadium. Eles saíram com o rabinho entre as pernas e seis nas costas, um derby histórico para jamais ser esquecido.

E o City demorou para perder no campeonato nacional, a primeira derrota só veio em dezembro, contra o Chelsea. Em meio há este semestre perfeito, Tevez tratou de manchar um pouco as coisas, o eterno ídolo problema resolveu não estar na melhor forma para ajudar o time nos primeiros meses, e, para piorar, se recusou a entrar em campo no jogo decisivo contra o Bayern na Allianz Arena.

Resultado: foi afastado do elenco, multado, e resolveu tirar férias na Argentina, nesse meio negociou a própria saída para o Milan, o City não aceitou. Passada a janela de transferências e sem solução da sua situação, teve que voltar, com Mancini tendo de dar o braço a torcer no momento mais crítico da temporada, fazendo dele contribuinte para o título também. Todo o estardalhaço terminou em paz.

A partir de janeiro o ritmo diminuiu, também fomos prejudicados por suspensões e a ida do motor do time, Yaya Toure, para a Copa Africana de Nações. O time perdeu um pouco o foco, algo normal em grandes competições, primeiro a gordura foi queimada, e depois de uma derrota para o Swansea, já em março, acabamos ultrapassados. Ainda em janeiro uma grande derrota que colocou bastante moral no time: estreamos na FA Cup logo com um derby, com vistas a defender o título, logo no começo aconteceu o normal, fomos garfados com uma expulsão completamente injusta de Kompany, o que derrubou completamente o time, o United nos dominou, terminou a primeira etapa enfiando três, dava a impressão e o medo que vingariam o 1-6. Mas não, na segunda etapa a equipe foi guerreira, marcou dois gols e por pouco não levou o jogo para o replay. Saímos como vencedores, e a impressão geral é que não deixaríamos escapar a Premier por nada.

Infelizmente, a curto prazo esta visão não se confirmou, o desempenho continuou caindo, o principal golpe veio em oito de abril, inacreditavelmente a situação de tranqüilidade, outrora do nosso lado, se inverteu. Depois de uma derrota para o Arsenal por 1-0 ficamos oito pontos atrás dos devils, com apenas seis rodadas para o fim. O time ficou desacreditado, já não parecia haver mais chances para o título, e as copas também já tinham ido todas. Em uma temporada que começara tão promissora restava-nos jogar pela dignidade. Os mais exaltados já gritavam “fora Mancini!” em meio à decepção.

Então, tão de repente como desapareceu, o bom futebol voltou, e, ajudados por perdas de pontos dos arqui-rivais, o City conseguiu heroicamente voltar à briga. A última chance de concretizar o sonho seria o derby da 36º rodada, uma final antecipada, um clássico único em dimensões e importância. Estávamos três pontos atrás, tínhamos que vencer para assumir a liderança no saldo de gols. Então, por ironia do destino, Kompany, que na partida da FA Cup já mencionada foi expulso e suspenso por quatro jogos de forma completamente injusta, prejudicando a equipe, marcou o gol crucial que deixou o City novamente favorito.

Na penúltima rodada Yaya nos deu a vitória contra o Newcastle por 2-0, enquanto os diabos venceram o Swansea pelo mesmo placar, e tudo ficou para o último capítulo. Precisávamos vencer para dependermos de nós mesmos, enquanto eles tinham de torcer pelo menos pelo empate, e vencer seu jogo, eles teriam um difícil duelo contra o Sunderland no Stadium of Light.

O City teria, teoricamente, um duelo mais fácil: o QPR que lutava contra o rebaixamento, treinado logo por Mark Hughes, louco para se vingar do clube e ver a desgraça de Mancini, com o adendo de ajudar seu ex-treinador Ferguson.


Me lembro como hoje daquele domingo, treze de maio, a tensão pré-jogo e o esperado começo. Sabia que não iria ser fácil, o time obviamente estava nervoso, tinha pressão de 44 anos nas costas, e, embora já tivesse um título conquistado para amenizar um pouco a situação, ali era diferente. Sorte que antes do intervalo o placar saiu do zero, Zabaleta, com grande contribuição do goleiro Kenny, nos que deu mais tranqüilidade, ou pelo menos era o que esperávamos. O gol foi crucial, pois em Sunderland Rooney abriu o placar logo aos 20 minutos, algo que se manteria até o final da partida. O ruim é que antes do intervalo perdemos o sempre candidato a herói Yaya Toure machucado, mas isto não parecia atrapalhar nossa glória, não parecia...

Como sabemos, o futebol não é justo, e na segunda etapa o inferno finalmente se mudou de Salford para Manchester, como os outros sempre desejaram, e a tragédia improvável começara a acontecer. Dois gols do QPR, o desespero, tudo ia por água abaixo: o gol de Kompany duas rodadas antes, a goleada em Old Trafford, os gols de Aguero, a reação na FA Cup. Tudo isto terminaria não valendo quase nada.

A descrença no que estava vendo me dominava, me impedia até de ficar um mísero segundo no mesmo lugar. Minha cadeira era o chão frio, que só não esfriava a raiva que subia em minha cabeça. Eu nem sei o que seria de mim se aquele resultado fosse mantido, e tudo se consumasse. Claro que torcedor do City não deixaria de ser, mas certamente a decepção perduraria por semanas e terminaria em aparecer esporadicamente por muito tempo, quem sabe até hoje. Como esquecer?

Os acréscimos chegaram, e o gol de Dzeko também, que fez aparecer um pouco da tal esperança, mas apenas timidamente, consegui até me levantar para tentar mandar um força invisível, tipo Genki Dama, para fazer a virada acontecer. Até que aos 49 o grande momento ocorreu, ao qual não vou descrever porque todos já sabem de cor e coro.

Claro que no momento eu gostaria que fosse mais fácil, com menos emoções para me destruir e que não me fizesse gritar tanto, o que deixou com rótulo de louco na minha rua, que perdura até hoje. Queria que tudo fosse conforme o roteiro, vitória tranqüila, alegria pelo título, etc. Mas, um ano depois e olhando para trás, vejo o quanto foi bom ser daquela forma, ainda mais para quem acompanhou a epopéia que foi resumida aqui desde o começo.

Ganhar com vários pontos e algumas rodadas de antecedência, como imaginávamos no começo, pelo ritmo alucinante de trator sem freio que estava à equipe, e como o mesmo United fez agora é bom, muito bom. Mas nós mais que ganhamos, fizemos história, algo para emanar orgulho e ser passado para as próximas gerações, vimos algo que não aconteceu todo dia, nem em dez anos ou vinte, talvez nunca da mesma forma, para ser lembrado para todo o sempre, principalmente quando os trezes de maio chegarem a nossa porta. Afinal, como esquecer?


Júnior Martins

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

10 motivos para um olhar menos trágico



A tristeza e melancolia em torno Manchester City tem se mostrado em todos os lugares, além dos 3.200 fãs dos blues que testemunharam o desastre de St Mary’s, no domingo.

É algo no DNA dos torcedores de futebol que seguem o seu time como visitante a tendência de serem mais otimistas, menos críticos e ter um maior senso de perspectiva que o resto. Por isso o nome de Roberto Mancini estava sendo cantado até mesmo quando as chances do bicampeonato da Premier League foram deslizando ainda mais.

Por isto, mesmo decepcionados, temos que olhar para frente, de modo que aí vão dez razões para acreditarmos com mais alegria o que nos aguarda:

1. TEM SIDO UMA BOA TEMPORADA

Obviamente, em comparação com algumas das performances da temporada passada, esta campanha empalidece. Mas, ao menos que venha algum tipo de colapso catastrófico, os Blues ainda vão desfrutar de sua segunda melhor temporada na história da Premier League.

Os jogos memoráveis ​​têm sido um pouco mais modestos, bem como os gols não fluíram tão livremente, mas para os fãs cujas memórias abrangem para além de 2008 tem sido algo incrível.

2. O RETORNO DE KOMPANY

Vincent Kompany retornou e viajou no sábado para Southampton, mas no final ficou decidido não arriscar outra recorrência de lesão muscular na panturrilha.

Com mais uma semana de trabalho de recuperação e fortalecimento, ele deve retornar na quinta rodada da FA Cup, contra o Leeds no domingo.

Não só isto seria um grande impulso para a defesa, com o retorno de uma figura influente, mas abriria opções para Roberto Mancini em outros lugares, como Javi Garcia liberado para retomar sua posição no meio-campo.

3. TEVEZ

O atacante desapareceu de cena depois de um forte início de temporada, marcando apenas uma vez em seus últimos 11 jogos.

Ele estava ausente em Southampton por razões familiares, mas está de volta para treinar esta semana, e deve jogar no domingo.

Foi Tevez que iniciou a vitória sobre o Watford no terceiro round com um chute espetacular, e sua série de más atuações não pode durar.

4. A SACUDIDA DE MANCINI

O técnico ficou furioso com sua equipe - e com ele mesmo - após a derrota em Southampton, e prometeu mudanças.

Joe Hart provavelmente seria substituído por Costel Pantilimon de qualquer maneira, como nas duas rodadas anteriores da FA. Kompany e Tevez retornam, provavelmente nos lugares de Barry e Dzeko - com Javi Garcia deslocado para o meio-campo - James Milner também deve voltar para a equipe.

5. GASTOS DE VERÃO

Com os novos chefes Ferran Soriano e Txiki Begiristain, o City pode começar a reestruturação da equipe a sério, depois das tentativas fracassadas do último verão.

As mudanças podem ser esperadas, com um atacante de primeira linha, um meio-campista novo, um zagueiro jovem, e, possivelmente um jogador classe A, são alvos de discussão.

O City estacionou após ganhar a Premier, mas agora eles precisam gastar bem mais para ir para o próximo nível, e os meses de verão podem recuperar a excitação dos primeiros quatro verões sob o comando dos novos proprietários.

6. FAIR PLAY FINANCEIRO

Parece que o City deve emergir ileso da introdução de regras de fair play financeiro da UEFA.

Os £ 375 milhões do acordo de patrocínio com a Etihad era esperado para estar em análise pela Uefa, mas a menos que possa ser plenamente provado que o governo de Abu Dhabi tem qualquer influência no City, nada pode ser feito.

Sheikh Mansour tem vários meio-irmãos em posições-chave na Etihad, mas eles não têm nenhuma influência sobre o clube.

Na verdade, se Etihad e outros patrocinadores ambicionarem expandir seus negócios com o City, provavelmente impediria qualquer ameaça do FFP.

7. REAGINDO A ADVERSIDADE

Os Blues têm desenvolvido uma habilidade de ganhar impulso após derrotas. Eles perderam em Sunderland no Boxing Day e logo depois ganharam as seis seguintes, antes de a boa sequência diminuir com empates contra QPR e Liverpool.

E, claro, quando na temporada passada sofreu a derrota para o Arsenal, os Blues conseguiram também seis vitórias consecutivas para dramaticamente conquistar o título.

8. SÓ O COMEÇO

O apoio dos fãs em St Mary’s foi tremendo e Mancini deve agradecer por eles continuarem a cantar em seu apoio mesmo em um dia difícil.

Ganhar o título na última temporada não foi o fim da história, foi um começo e haverá dias melhores por vir.

9. FA CUP

O City está a apenas três jogos da final, e a FA Cup assume novo significado com as chances de ganhar a liga recuando rapidamente.

Ganhar o famoso troféu duas vezes em três temporadas, com uma Premier League encravada entre eles, será além dos sonhos que todos os fãs tinham há apenas cinco anos.

10. LIGA DOS CAMPEÕES

A equipe está há nove pontos de vantagem do quinto colocado Arsenal, de modo que seria necessário um colapso notável para cair fora dos quatro primeiros nesta temporada.

Isso significa que eles vão estar na Liga dos Campeões novamente na próxima temporada, provavelmente com um time forte, e todos esperam com melhor sorte na fase de grupos.

Os Blues precisam manter seu lugar no topo da tabela da Europa por razões financeiras e futebolísticas, e se classificar para a terceira temporada seguida seria uma conquista importante para si mesmo.

Adaptado do Manchester Evening News

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