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segunda-feira, 12 de maio de 2014

E o vilão venceu...


É românticos, lamento lhes dizer, mas nós compramos mais um título da Premier League. Graças ao Sheikh Mansour, o Manchester City ousou ganhar seu segundo campeonato em três temporadas, algo impensável há poucos anos atrás. Agora, podem lamentar-se, chorar e dizer que o Liverpool é o campeão moral, que merecia, entre outras baboseiras. Somos sujos, mas temos títulos...

Foi uma Premier League louca, muito disputada, com inúmeras trocas de liderança e uma disputa ferrenha até o final. Um êxtase de competitividade que deixou todos em extrema adrenalina. Em um momento o Arsenal, com um bom futebol e campanha inicialmente muito consistente, pareceu que ia até o final e poderia encerrar sua desgastante fila sem títulos; depois veio o Chelsea de Mourinho, que graças a seus reforços e técnico tarimbado parecia o mais preparado para ser campeão nos prognósticos de pré-temporada; também o Liverpool, que fez uma campanha acima do que seu elenco prometia, apresentou um ótimo futebol e um ataque avassalador, por boa parte da temporada parecia morto na briga pelo primeiro lugar, mas de repente despertou e encantou, esteve bem perto de ganhar após longos 24 anos; Por fim, teve o United, que... ah, não, o United não...

O Arsenal foi o cavalo paraguaio habitual dos últimos anos. O Chelsea perdeu jogos bobos e não conseguiu dividir as disputas na Premier e Champions com eficácia. E o Liverpool junto com o Gerrard tropeçaram em um clássico contra um adversário reserva, sucumbindo também a arrogância, a frescura e ao já ganhou. O City começou um campeonato arrasando e encantando, com um ataque avassalador, poderia levar fácil, mas as atuações caíram, perdeu clássicos importantes para o Chelsea (em casa) e Liverpool, então parecia que não ia dar. Aí ganhou um presente e foi com tudo em busca do sonho, venceu batalhas difíceis e cruciais, sempre acreditando, mas nunca cantando vitória.

Sim, existiu um dia que foi crucial para tudo: 27 de abril. Naquele domingo eu entrei com um pensamento dominante em minha cabeça: “hoje o Liverpool tem 99% de chances de ser campeão”. Era óbvio, eles tinham grandes chances de sair dali com o título praticamente assegurado, só não aconteceria com uma improvável combinação de resultados. Os Reds vinham embaladíssimos, com espírito de campeão e jogariam em casa contra um Chelsea reserva, totalmente focado na semifinal da Champions. O City, por outro lado, iria pegar um Crystal Palace casca grossa vindo de cinco vitórias seguidas em sua casa, um caldeirão em que o time já tinha arrancado pontos de times com muito mais grife, e estava sem o mago David Silva. Não adiantava, mesmo que um tropeçasse o outro também o faria, e tudo ficaria na mesma...

Mas aí Mourinho estacionou um ônibus a frente do seu gol, que não deixou passar nada. Gerrard escorregou, eles partiram para o desespero e tomaram mais um, o primeiro passo estava feito. Me animei um pouco: “nós ganhamos um presente, não podemos desperdiçá-lo de nenhuma forma, nem que seja meio a zero!”. Naquele dia Yaya Touré, o melhor meio campo do mundo, que só não é reconhecido pela FIFA por ter menos grife que Xavi e Iniesta, decidiu mais uma vez para o time: o gigante acordava para não dar chance a ninguém mais.

Em seguida, com muita catimba e cojones, conseguimos superar uma partida duríssima contra o Everton, em que o mundo jogava contra nós. Parecia então certo que a última rodada seria um nervoso deja vu de 2011/12. Dois times empatados em pontos que decidiriam no saldo, novamente com os Sky Blues em vantagem no quesito. Será que viria um novo sofrimento épico? Mas aí, o time vermelho tratou de facilitar mais uma vez, não conseguindo o que tínhamos feito: em um jogo louco onde fizeram 3 x 0 e deu até medo de conseguirem tirar a diferença do saldo, tomaram o empate da guerreira equipe de Tony Pullis. Dois dias depois superamos o trauma dos jogos atrasados (anteriormente havíamos quase perdido para o Sunderland, tirando o título das nossas mãos) goleando o Aston Villa numa partida que foi mais difícil do que o placar indicou.

Então, chegamos neste domingo. Objetivamente, a diferença para 2011/12 é que dependíamos apenas de um empate, há não ser que o Liverpool aplicasse uma goleada totalmente irreal no Newcastle, e não mais da vitória, mas subjetivamente a situação era 100% diferente. Há dois anos atrás mais ou menos todo mundo (excetuando os diabos) torcia, mesmo que muito dentro de si, por nosso título. Naquela época nosso dinheiro era bom, ajudaria a quebrar uma seqüência do United, colocaria mais competitividade a competição, etc. ali éramos nós que tínhamos uma fila desgraçada contra, éramos os patinhos feios, os chacoteados. Para agora o clima mudou 360 graus, viramos os vilões do mundo, a morte do futebol, o fruto da lavagem de dinheiro ou de um dono que quer apenas divertir-se. Nosso título era vitória do mal, resumindo tudo.

O Liverpool, por outro lado, angariou a torcida de meio mundo. Nem os inteligentes jornalistas, muitas vezes tão batalhadores pela imparcialidade, conseguiram esconder a preferência, e as transmissões de jogos transformaram-se em um inferno de chatice e romantismo, foi muito duro agüentar as rodadas finais. Os Reds viraram, de uma hora para outra, time diferenciado, parecia que não tinham dono ou montaram o seu time por meio de escambo, sem gastar dinheiro nenhum. A torcida era o símbolo do sofrimento e a melhor do mundo, e Gerrard, bem, quase um santo...

Eu nunca odiei a equipe adversária, me solidarizo com o sofrimento dos torcedores, não ignoro sua grandeza e entendi a maioria dos argumentos de quem torceu por eles. Mas, diante desta aura de santificação forçada, e principalmente de vilanização do City, com uma torcida otimista demais diante de tão profunda fila, onde muitos ressuscitaram das tumbas para, sem sentido, se acharem nas redes sociais, e um técnico boca solta, este título virou praticamente uma questão de honra. Precisávamos quebrar esta corrente, se o Liverpool vencesse seria capaz de aparecerem veadinhos saltitantes e beija-flores em Anfield, tamanho clima de conto-de-fadas criado, e a televisão tornar-se-ia insuportável.

Se ser um citizen já implica em pessimismo, diante de tão profundo nevoeiro negativo em nossa direção, não tinha como esconder o medo de que alguma série improvável de acontecimentos místicos dessem ao Liverpool a vitória épica que precisavam para se confirmarem como diferentes. Só tive plena certeza quando o relógio bateu 92 minutos de jogo (sério), porque aí eu sabia que os Hammers não fariam três gols em dois minutos, era fisicamente impossível... O jogo contra o West Ham passou longe da dramaticidade de dois anos atrás, mas nem por isso, e para não contrariar a história e o Typical City não foi algo fácil demais, não veio à goleada que muitos poderiam pensar.

O City foi campeão com menos dias na liderança que Arsenal, Chelsea e Liverpool (muito por culpa dos malditos jogos atrasados que não nos largavam), mas no dia que interessava, 11 de maio de 2014, estávamos lá. Os Reds tiveram azar, pois o confronto era com uma equipe em que a mística de sofrimento e superação das adversidades era muito maior que a deles, por mais que muitos esqueçam. Que eles esperem mais 1 ano, ou 20. Nós esperamos 44, porque eles não podem?

Júnior Martins

domingo, 11 de maio de 2014

Manchester City é campeão da Premier League 2013/14


Hoje, o Manchester City entrava em campo com muito a seu favor. Um empate já era suficiente. Depois de tropeços ao longo da temporada, dentro e fora da Premier League, os Blues estavam de volta a final. Com uma partida bem diferente de que foi há dois anos contra o Queens Park Ranger, a última rodada enfrentando o West Ham United não deixou a desejar. O Manchester City que estava em campo era o que qualquer torcedor quer ver. Embora com um placar de 2 a 0 (bem diferente das goleadas que vimos), a equipe dominava os gramados de sua fortaleza, o Etihad Stadium.

O Manchester City conquistou a Premier League pela quarta vez do modo como sabe fazer. Ao longo da temporada, o Arsenal ficou mais tempo na liderança, o Liverpool se destacou e até esse momento era nossa maior preocupação, o Chelsea deixou o campeonato um pouco de lado para dar atenção a UEFA Champions League. Os Blues, bem... Sorrateiramente davam o seu melhor. Claro que tiveram erros, derrotas, empates. Pontos importantes deixados para trás, mas que tornaram a temporada emocionante, como sempre.

A bola rolava em campo e os Blues mantinham o West Ham recuado, obrigado a manter a defesa atenta. Chutes a gol e troca de passes intensa. Um bom trabalho para não se deixar iludir de que o empate já era o suficiente.

Aos 30 minutos, o West Ham conseguiu, enfim, entrar na área dos Blues e tentar abrir o placar. No lance, Hart defendeu sem problemas, mas o ataque incisivo de Kevin Nolan resultou em cartão amarelo para o capitão, que acertou o goleiro inglês.

Logo em seguida, a resposta dos anfitriões. Aos 39 minutos, Nasri abriu o placar chutando no canto direito do gol de Adrian. O francês recebeu de Yaya Touré e recuou antes de finalizar cruzado.


 O City estava em campo a todo o vapor. David Silva, Kun Agüero, Vincent Kompany e Yaya Touré se destacavam na briga por mais um gol. As redes do West Ham precisavam balançar mais uma vez. Era preciso selar a vitória, depender só de si, esquecer-se do confronto entre Liverpool e Newcastle United que corria ao mesmo tempo.

Quatro minutos após a volta do intervalo e Kompany ampliava o placar. O capitão dos Blues aproveitava a bola deixada por Edin Dzeko e mudava o placar para 2 a 0.


Os Citizens continuavam buscando mais. Nada de diminuir o ataque. Dois gols de vantagem ainda não parecia um bom resultado. A equipe queria mais. Sem desânimo, sem troca de passes para fazer com que o relógio corresse depressa. Embora o resultado não mudasse, a vitória teve um gosto especial, como sempre tem. A torcida, que se manteve junto ao Manchester City, não importando o placar, teve a chance de tomar o campo. Sem dúvida uma das melhores cenas do futebol. Não havia melhor modo de representar o companheirismo – e a cumplicidade – da torcida com a equipe. Fight to the end together


quinta-feira, 8 de maio de 2014

City goleia Aston Villa e fica há 1 ponto do título


Nesta quarta-feira os corações citizens ficaram apertados na expectativa pela importante partida adiada da 29ª rodada contra o Aston Villa no Etihad Stadium. Mas, ao contrário do duelo atrasado anterior, o empate que quase foi derrota contra o Sunderland, desta vez o time não deu sopa para o azar, Dzeko decidiu na goleada e o time caminha a passos largos rumo ao quarto título da Premier League.

Quem vê apenas o resultado pode presumir que a partida foi tranquila, mas é enganoso. Como temíamos, tivemos dificuldade para superar a retranca dos Villans, e ainda tomamos sustos em alguns poucos contra-ataques. A equipe buscou ser protagonista no jogo desde o começo, buscando criar chances no ataque. A primeira boa chance veio aos 12 minutos, quando Yaya Touré bateu de primeira ao receber de Zabaleta para Guzan salvar com o pé.

Mas este lance não indicou um bombardeio ao gol dos adversários. O City até continuava pressionando no ataque, mas tinha dificuldades para furar o bloqueio defensivo, tocando muito a bola e criando poucas chances objetivas. Como em outras situações, a equipe parecia pecar pelo nervosismo em abrir o placar, pela necessidade de vitória para aproveitar o tropeço do Liverpool na segunda-feira. O primeiro tempo, para desespero de todos, acabou 0 x 0.


Na segunda etapa, o time continuou buscando gol, e de tanto martelar, conseguiu furar a parede aos 19 minutos, quando Zabaleta, que jogou muito, avançou ao ataque após lançamento de Silva, achando Dzeko na área, que recebeu rasteiro, apenas tocando para as redes. O placar estava aberto, e o City tirava um grande peso das costas. A partir daí, as jogadas naturalmente fluíram melhores, aos 27 Zaba novamente recebeu em jogada ofensiva, tocou para trás, onde David Silva chutou e Guzan defendeu, mas o goleiro deu um presente a Dzeko, largando o rebote nos pés do bósnio, que fuzilou para fazer o segundo.



Com o City mais tranquilo, o Villa conseguiu se arriscar no ataque, e quase marcou quando Weimann cabeceou no travessão após cobrança de falta. A bola bateu no chão, mas claramente não entrou no gol. Aos 44, Yaya passou para Jovetic bater de direita e fazer mais um. Para encerrar, nos acréscimos, o marfinense fez sua jogada característica e incomparável, arrancou da defesa e ninguém conseguiu pegar. O melhor meio-campo do mundo tocou na saída de Guzan e fechou o placar, 4-0.

Com isto, o City confirmou a vantagem de dois pontos frente ao Liverpool, e joga por uma empate no próximo domingo diante do West Ham em um Etihad Stadium lotado. O jogo vai ser as 11 horas de Brasília, com transmissão da Fox Sports e ESPN Brasil.


Foi a vitória do time que nunca cantou vitória antes do final, e nem canta ainda, sabemos que ainda existem 90 minutos por vir: arrogância nunca vai fazer parte do verdadeiro citizen. No próximo domingo, dia das mães, é dia de vestir a camisa azul e unir forças por este título. Falta apenas uma batalha! #TOGETHER

domingo, 4 de maio de 2014

City vence batalha e se aproxima do título


Em jogo duríssimo válido pela 37ª rodada da Premier League, o City conseguiu superar o Everton em Goodison Park, e está há duas vitóriaS de garantir seu quarto título da Premier League. A equipe superou um tabu que perdurava desde 2009 sem vencer os Toffees fora de casa.

Apesar de ter começado o jogo bem, o City tomou um castigo logo no início da partida, o que deixou sua missão bem mais difícil. Barkley fez um golaço de fora da área, chutando alto no canto esquerdo de Hart, que ainda voou, mas nada pode fazer.

Depois do baque, os Citizens foram mais incisivos no ataque, e, pouco depois de perder uma boa jogada em que prendeu demais a bola, Kun Aguero evitou maiores lamentos ao fulminar o goleiro Howard com um chute rasteiro. Eram 22 minutos, e agora a situação ficava um pouco mais tranquila com a igualdade no placar. Ainda assim, apesar de euforia no gol, tivemos uma coisa para lamentar: o argentino sentiu a virilha no lance e teve que ser substituido. 


Após o jogo Kun afirmou que foi apenas precaução, mas temos que aguardar exames para saber de suas condições. Pellegrini colocou Fernandinho em seu lugar, adiantando Yaya para que este comandasse as ações ofensivas.

Quando parecia que o intervalo seguiria com o empate no placar, o que para nós já era mais tranquilo, aos 43, Dzeko recebeu cruzamento de Milner, a bola não veio forte e a cabeçada também saiu fraca, mas o que faltou em potência sobrou em precisão, a bola foi no cantinho, inalcançável para Howard. Fomos para a pausa em vantagem.


O segundo tempo começou com um susto daqueles! No primeiro minuto Naismith saiu cara-a-cara com Hart, que fez uma defesa digna de título. No minuto seguinte, porém, a tranquilidade aumentou, após boa jogada, Nasri cruza rasteiro e a estrela Edin Dzeko mete o pé para fazer 3-1.

Após o gol o City recuou demais, e os donos da casa passaram a gostar do jogo, pressionando para diminuir o placar, o que finalmente conseguiram aos 70 minutos. Baines cruzou com facilidade para Lukaku, também desmarcado cabecear e fazer o segundo do Everton. A partir daí foi desespero, com o City amarrando o jogo a fim de que o tempo passasse mais depressa. Tivemos alguns contra-ataques a favor, mas não conseguimos aproveitar.

A partida teve seis minutos de acréscimo por causa de uma lesão de Dzeko, mas no final pudemos, aliviados, comemorar a importante vitória. O City agora tem uma partida adiada contra o Aston Villa na quarta feira e finaliza o campeonato contra o West Ham no domingo, ambas são no Etihad. Existem grandes chances de decidirmos no saldo de gols com o Liverpool, terminando empatados em pontos. Nosso saldo hoje é superior em nove gols ao deles.


Contra a arrogância e o já ganhou, vamos humildemente batalha por batalha, agora só faltam duas! 

#TOGETHER

terça-feira, 15 de abril de 2014

A frescura do romantismo


O Liverpool tem que ganhar esta Premier League. É a vitória do puro futebol, até mesmo da bondade...

Parece um pouco de exagero, mas é mais ou menos por aí que os românticos do futebol pensam, e estão especialmente pensando assim nesta disputa espetacular que está ocorrendo na Premier League 2013/14.

Neste ponto, perdem Chelsea e Manchester City, eles não podem ganhar, porque este direito é dado apenas aos grandes e tradicionais, não aos médios ou pequenos, que devem ficar no seu lugar de eterno sofrimento, vexames e seca. Deter um dono ou investidor de peso e poderio financeiro não vale para eles, a única forma aceitável é você montar uma equipe com recursos medíocres e, por um milagre dos céus, conseguir enfrentar os gigantes poderosos na liga mais rica do mundo. É assim que os românticos pensam.

Os românticos declaram guerra ao dinheiro, até porque o Liverpool não precisou gastar muito para montar sua equipe, principalmente naqueles investimentos quase emergenciais logo após a compra pelos americanos. Todo mundo se lembra do Sheikh mostrando serviço ao torrar 33 milhões de libras em Robinho, que não deu certo, um exagero vergonhoso! Mas, não quando os vermelhos pagaram 35 em Andy Carroll, que também não deu certo... Luisito Suarez, grande estrela desta equipe que vem encantando, também veio no pacote de entrada do Fenway Sport Group, e não foi barato...

O importante de analisar esta questão dos altos investimentos externos cada vez mais preponderantes é não generalizar, ver caso a caso. Por exemplo, se olharmos pelo lado da Ligue 1, na França, até compartilho um pouco da visão dos românticos: o turbilhão de dinheiro do PSG estragou um campeonato que, a exceção do período de domínio do Lyon, sempre foi bastante equilibrado, com boa variação de vencedores. Mas, mesmo neste caso, o Mônaco já desbanca como um que deve fazer frente nos próximos anos, existindo uma disputa.

Na Premier League, me desculpem, o efeito foi contrário e para melhor. O dinheiro de City e Chelsea engrandeceu e adicionou novo tempero a disputa. O que seria da Premier sem Mansour e Abramovich? Com a pindaíba do Arsenal e o jejum do Liverpool, presumo que o United estaria com mais ou menos nove títulos seguidos, ótima a disputa não? Será que a Premier teria o valor e prestigio que detém hoje? Eu duvido muito...

Nós melhoramos a disputa, e não existe hegemonia de City ou Chelsea, temos uma liga que é vista e idolatrada em todo o mundo, com um valor de mercado imenso e uma disputa que só a engrandece. Temos seis equipes certas em todo inicio de temporada como favoritas na disputa de cima (fora as surpresas, a exemplo do Everton), seja pela base já formada ou pelo investimento feito na janela. Todos estes investem alto ao menos alguma vez, porque é necessário, não há outro jeito de sonhar com algo. Mesmo para grande parte dos médios/pequenos existe um nível de investimento maior do que os de outras ligas, que seja apenas para se manter na divisão de elite. Faz parte do patamar que a Premier chegou nos dias atuais, ela é nivelada não por baixo como o Brasileirão, mas por cima.

E os românticos agora têm a mania de fazer um comparativo entre o possível triunfo do Liverpool na Inglaterra e a do Atlético de Madrid na Espanha, porque não comparar o segundo com o City? Ora, neste caso o Liverpool é que é grande, tem 18 títulos, o segundo maior campeão. Nós é que estamos aqui para quebrar hegemonias e vencer os gigantes, posto em que merecidamente está a equipe da terra dos Beatles. Não é a toa que em 2012 o título do City também foi do Sunderland, Newcastle, Fulham, Aston Villa, etc. Eles estavam cansados, sedentos, era hora de alguém triunfar sobre a arrogância, algo que a pouco tempo parecia tão improvável, tanto que ao final do jogo contra o QPR o Etihad era um estádio de torcida única: até os torcedores visitantes comemoraram o gol espetacular de Aguero. Aquele gol também foi deles, pois se espelhavam na nossa luta e história de sofrimento, ao qual naquele momento parecíamos tão perto e tão longe de tocar o céu.

Nos últimos dias a frescura na rede se espalhou, e os Reds viraram exemplares, até citando Gerrard por ser jogador de um time só a vida toda como um exemplo diferencial. Diferencial de quê? Existem e existiram vários semelhantes em outros times, até nos vilões, e mesmo que não tenham servido uma equipe só, estão há muito tempo nelas e demonstram amor e dedicação igual. Engraçado e talvez ninguém se lembre, mas o mesmo Gerrard não enfatizou tanto amor pelo Liverpool quando entregou um pedido de transferência ao clube para ir a Londres assinar com o Chelsea, logo o Chelsea! O vilão! Pois é, ele desistiu em meio a inúmeras ameaças de morte. Parece que até para o exemplar capitão o dinheiro, ou a chance de vencer a Premier logo falou mais alto.

Não é desmerecê-lo, pois o reconhecemos como um grande jogador e símbolo do clube, que certamente mereceria encerrar gloriosa carreira com um título doméstico, mas é só uma nota para a mania irritante de glorificar e diferenciar o clube nesta disputa em detrimento dos outros. Todos têm o direito de torcer para eles levarem, vários motivos são legítimos e aceitáveis. O que não se pode é pensar ser superior por isto e vilanizar o City, que disputa legitimamente. Se você é contra a vinda de russos e árabes, paciência, os negócios foram legais, estão aí até agora. Se um dia a fonte de ouro acabar, o problema é nosso, garanto que boa parte vai continuar fiel e torcendo, mesmo que sejam tempos de vacas magras.

Se for para voltarmos de verdade ao futebol romântico e puro, então que voltemos aos tempos do amadorismo, do contrário, saiam do seu mundo de fantasia e passem a viver e aceitar a realidade do futebol moderno. Se existe antítese, certamente o Liverpool não é ela.

Júnior Martins

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Para onde nos levam os ventos da temporada

Estamos chegando à reta final da Liga Inglesa mais emocionante dos últimos anos. São três times disputando ponto a ponto a taça: um Liverpool comendo a bola e encantando com Luis Suárez jogando absurdamente; um Chelsea do imprevisível Mourinho, que já teve a liderança nas mãos, mas ficou em situação difícil após tropeços inesperados; E o City, que já encantou, caiu um pouco, voltou a atuar bem e tem dois jogos a menos que os demais, sendo o líder por pontos perdidos.


Hoje a classificação é esta:


O City tem uma vantagem virtual de dois pontos sobre os Reds, e quatro sobre os Blues e a questão que mais pesa agora, no caso, são os confrontos restantes das equipes:


Considerando este fator, vemos que a vantagem do City é teórica, mas a do Liverpool é real. Olhando friamente apenas pelo teor dos adversários, cada um tem dois confrontos difíceis e o restante onde é obrigação vencer, já o Chelsea tem um difícil e quatro de teor mais tranqüilo. A diferença é que o time vermelho tem estas duas partidas cruciais contra seus adversários diretos em casa, uma colher de sopa inestimável dada pela tabela, enquanto o City vai fazer duas visitas a Liverpool, contra o homônimo e o Everton, este segundo talvez ainda brigando por Champions League, e ambas não guardam recordações muito boas no histórico.


O confronto, no geral, é muito desfavorável, o Liverpool venceu quase 50% das partidas. Em Anfield o nosso último triunfo ocorreu há 11 anos atrás, 2-1 pela Premier 2002/03. Na “era rica” isto não aconteceu, mas a parte boa é que dos últimos cinco confrontos ocorreram quatro empates, que é um resultado que nos interessaria.

Imaginando que os times venceriam todos os seus confrontos mais fáceis, e ficariam abertos apenas os espinhosos, temos vários cenários de finalização. No caso de vencermos e quebrarmos o tabu, nossa vantagem teórica vai a cinco pontos, e ficamos em uma situação confortável de até poder perder no Goodison Park. Em caso de empate, também um bom resultado, podemos, com uma vitória sobre o Everton, também caminhar tranquilamente, sem depender de ninguém, até o título.

Em um cenário de empate nas duas partidas em Liverpool, algo com fortes chances de acontecer, a situação fica curiosa, pois provavelmente vamos decidir no saldo com um dos dois adversários, a semelhança de 2011/12, o que irá depender do confronto entre Liverpool e Chelsea, onde terminaríamos empatados em pontos com o vencedor dele. Contra o Chelsea a parada seria mais tranqüila, mas contra o Liverpool seria um Deus no acuda até o final, já que hoje nossa vantagem é só de cinco gols, então nosso ataque teria que funcionar contra os pequenos.

Claro, um empatezinho entre os dois outros postulantes em Anfield nos ajudaria a não depender de saldo no cenário anterior, mas, principalmente jogaríamos nossas fichas na mentalidade inigualável de José Mourinho no caso de uma derrota domingo, pois se o português não arrancar pelo menos um empate o caminho ficaria livre para os vermelhos encerrarem a fila, e ainda, claro, teríamos a terrível missão de obrigatoriamente vencer os Toffees em seus domínios. Ou seja, os gols perdidos que não mataram o confronto contra o Arsenal fazeriam falta.

Nestas previsões, é bom torcer antecipadamente por duas coisas: um Chelsea vivo na briga por pelo menos as próximas três rodadas, e um Everton chegando em zona de conforto na nossa partida, garantido na Europa League e fora da briga pela Champions.


Manchester City
Liverpool
2-0 Hull City
2-1 West Ham
5-0 Fulham
4-0 Tottenham
3-0 United
2-1 Sunderland
1-1 Arsenal
6-3 Cardiff
4-1 Southampton
3-0 United

Pensando nos antecedentes de domingo, vemos dois times vindos de boa seqüência. O diferencial deles sem dúvidas é o ataque, posto que o City já teve, mas foi superado. Ter os dois principais artilheiros da difícil Premier League não é para qualquer um, são 49 gols da dupla Suarez-Sturridge, mais que a maioria dos times da competição, no total impressionantes 90. Não há palavras para o que o uruguaio está jogando, o que ele faz a diferença para a equipe, para o que vos escreve este post é atualmente o melhor do mundo, sem medo das retaliações de Lionetes e Ronaldetes. Muitos citizens torceram para que voltasse aos velhos tempos e arrumasse um vermelhinho na última partida, mas parece que amadureceu até em mentalidade, parando de desperdiçar seu talento.

No meio-campo e defesa está nosso diferencial. O meio deles é bom, mas não se compara ao do City. Yaya está cada vez mais monstro, não fosse a existência de Suarez seria o melhor da temporada inglesa, e merecendo estar no top-5 do mundo. Tem 18 gols nesta Premier, sendo o terceiro artilheiro, nada mal para um meio-campo que já foi primeiro volante um dia. Silva também tem sido decisivo nas últimas rodadas, um show de assistências e gols, faz uma temporada no nível daquela que nos garantiu o título. Temos ainda Nasri no melhor desde que chegou e Fernandinho encantando a todos em sua liga de estréia.

Por fim, há a defesa. A nossa já foi bastante criticada, mas evoluiu, tomou apenas dois gols nas últimas cinco partidas, até o tão perseguido Demichelis vem jogando bem. No geral tomamos 11 gols a menos que o Liverpool, que em vários jogos viu seu ataque resolver o que a defesa não garantiu lá atrás. É um ponto que deve ser explorado.

Depois da eliminação na Champions e FA Cup o City joga todas as suas fichas nesta Premier, querendo dar algo mais a temporada do que uma simples Carling. Tem uma vantagem teórica, mas que depende principalmente de um confronto direto dificílimo fora de seus domínios. Enfrenta um time desesperado para encerrar uma fila de 24 anos, com uma torcida fanática e arrepiante fazendo pressão, e que arrogantemente já se sente campeã. O terreno é mais que montanhoso, mas você que é citizen pode responder bem, o que vem fácil para nós?

Júnior Martins

sexta-feira, 14 de março de 2014

Curva descendente e pessimismo


A péssima semana que se seguiu é somente mais um reflexo que o nível de atuações do time vem caindo há algum tempo, principalmente porque nossas principais armas de outrora tem demonstrado instabilidade: primeiramente o ataque, que tem negado fogo, com Negredo e Dzeko tendo atuações abaixo do esperado, Aguero se machucando a cada dois segundos, onde desfalca o time demais e mesmo quando está em campo tem problemas para entrar no ritmo.

Outro ponto forte eram os jogos em casa, as vitórias têm sido mais difíceis, o time tem dificuldades para abrir o placar e vem tomando alguns sustos, inclusive com resultados ruins aparecendo constantemente. Verificando cada partida, podemos perceber que a queda nos resultados vem se acentuando desde fevereiro, especialmente a partir da péssima derrota em casa no jogo decisivo contra o Chelsea, em que podíamos ter mantido a liderança da Premier. Abaixo a relação de todos os jogos realizados a partir dali:

DATA
RESULTADO
COMPETIÇÃO
03/02
Man City 0 x 1 Chelsea
Premier League
08/02
Norwich 0 x 0 Man City
Premier League
15/02
Man City 2 x 0 Chelsea
FA Cup
18/02
Man City 0 x 2 Barcelona
Champions League
22/02
Man City 1 x 0 Stoke
Premier League
02/03
Man City 3 x 1 Sunderland
Capital One Cup
09/03
Man City 1 x 2 Wigan
FA Cup
12/03
Barcelona 2 x 1 Man City
Champions League

Podemos destacar nesta série que inclui as duas partidas contra o Barcelona pelas oitavas da Champions e a final da Capital One um retrospecto de três vitórias, um empate e quatro derrotas. Foram apenas oitos gols marcados, média de um por partida, e oito sofridos. Nada perto do ataque que assustou a Europa quando ultrapassou a marca de 100 gols com antecedência... Mais gritante é quando vemos que das oito partidas, cinco foram em casa, que renderam três derrotas, também nada perto da fortaleza imbatível de antes.

Para terem uma idéia da queda, coloco agora as oito partidas anteriores as mostradas, comparem e vejam a diferença:

DATA
RESULTADO
COMPETIÇÃO
28/12
Man City 1 x 0 Cryst. Palace
Premier League
01/01
Swansea 2 x 3 Man City
Premier League
08/01
Man City 6 x 0 West Ham
Capital One Cup
12/01
Newcastle 0 x 2 Man City
Premier League
18/01
Man City 4 x 2 Cardiff
Premier League
21/01
West Ham 0 x 3 Man City
Capital One Cup
25/01
Man City 4 x 2 Watford
FA Cup
29/01
Tottenham 1 x 5 Man City
Premier League

São oito vitórias, só isto, com 28 gols marcados, impressionantes 3,5 de média, e sete sofridos. Destaque para as goleadas sobre West Ham e Tottenham, esta última em White Hart Lane. Neste momento o City tinha um desempenho 80% superior em número de gols e 70% melhor em relação às vitórias. É evidente a curva descendente que se seguiu.

Ganhamos um título nesta baixa, mas fomos eliminados de duas competições, uma delas inesperadamente, e o que poderiam ser quatro títulos em disputa viraram apenas um, ao qual o time tem que buscar desesperadamente em jogos atrasados tirar a diferença para o Chelsea e salvar a temporada, já que a Capital One hoje parece muito pouco para o real nível da equipe. O pior é que existem clássicos para serem disputados fora de casa contra Manchester United, Liverpool e Arsenal, tabela muito salgada nesta disputa ferrenha que se segue pelo troféu, com adversários nada fáceis.

Nestas duas últimas eliminações alguns afirmam que Pellegrini pode ter apostado no jogo errado, poupando no domingo para tentar uma classificação quase impossível na quarta, mas vamos combinar que qualquer um em sã consciência sabe que dava para poupar e se classificar contra um time da Championship, sem falar que seria meio estranho mandar um time incompleto contra o Barça, pois, apesar do péssimo resultado influenciado e dispensável da primeira partida, ainda havia chances de classificação, e estas deveriam ser tentadas.

Obviamente, dadas as condições, a que eu lamentei menos foi a diante dos catalães, pois era totalmente esperada e provável após o desastre anterior. O que me deixou de cabeça quente mesmo foi a partida de domingo, marco na queda de rendimento, onde rendeu, infelizmente, mais um título que se foi tão perto, irônica e caprichosamente diante do pequenino Wigan, deixando o caminho livre para o Arsenal encerrar seu jejum.

Era soberbo demais pensar em quatro títulos na temporada, é contra o sentido de ser City. Nosso histórico de sofrimento não permite tantas glórias assim de uma vez, tem de ser pouco a pouco, com muito suor e trabalho para conquistar nosso lugar. Eu, por exemplo, não contava com a Champions, porque sei que existem times melhores e mais tarimbados como Real e Bayern. E, garfados ou não, contava com uma eliminação nesta fase, eram dois grandes times em que se podia dar qualquer coisa.

Agora, pelo jeito que o time vinha destruindo e encantando, estrelas brilhavam em meus olhos para uma tríplice coroa caseira, para mim totalmente possível. O interessante é que vendo o cruzamento da próxima fase não me abateria se por acaso fossemos eliminados pelo Arsenal. Time grande + jogo único = tudo é possível. A questão é para quem caímos, e isto que engrandece o fracasso dessa eliminação.

Temos um título, o menor, sobra outro a disputar. Neste caso, o pior é ver este acúmulo de jogos atrasados, que agora carregam consigo uma pressão extra e vão decidir realmente nosso destino na briga, todos devem ser vencidos pois não existem mais rodadas sobrando para uma recuperação em caso de tropeço. O bom é que se não fosse assim, com essa dose dramaticidade, não seria o City, na verdade, se fosse fácil demais a chance de conseguirmos seria quase zero, pois nunca ganhamos algo de bandeja. A relação de partidas restantes está abaixo:

DATA
CONFRONTO
15/03
Hull x Man City
22/03
Man City x Fulham
25/03
Man United x Man City
29/03
Arsenal x Man City
05/04
Man City x Southampton
13/04
Liverpool x Man City
16/04
Man City x Sunderland
21/04
Man City x WBA
27/04
Cryst. Palace x Man City
03/05
Everton x Man City
07/05
Man City x Aston Villa
11/05
Man City x West Ham

Só igualaremos o número de jogos às vésperas da última rodada, quando enfrentaremos o Aston Villa. Além dos três clássicos chaves fora de casa, ainda existe um chato jogo contra o Everton no Goodison Park, daqueles que nunca vemos um resultado bom.

Depois de muitas doses de pessimismo altamente necessário, algo intrínseco a alma de um Citizen, nestes momentos se faz necessário lembrar os apuros de 2011/12 quando ficamos oitos pontos atrás em uma fase mais adiantada que a atual, e sem jogos atrasados. Convém lembrar também que nesta mesma temporada, no momento de baixa da equipe, fomos eliminados de algumas copas que seguíamos entre os favoritos aos títulos. Acabou nos sobrando apenas a Premier League, e talvez este tenha sido o diferencial de garra para a equipe buscar o caneco, em vez de se concentrar em vários campeonatos, com todos os problemas inerentes a rodagem de elenco, foi focada uma coisa só, uma só luta por um só objetivo. É o mesmo que parece acontecer agora, nos resta torcer para que os ventos soprem positivamente e que o dia 11/05 seja histórico, quase dois anos após aquela data que nunca esqueceremos, mas com o detalhe que não deixem para o último minuto...

 Júnior Martins

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